Estava a ler o primeiro livro de Vinícius de Moraes e encontrei um poeminha que gostei, por isso, compartilho aqui:
Revolta
Alma que sofres pavorosamente
A dor de seres privilegiada
Abandona o teu pranto, sê contente
Antes que o horror da solidão te invada.
Deixa que a vida te possua ardente
Ó alma supremamente desgraçada.
Abandona, águia, a inóspita morada
Vem rastejar no chão como a serpente.
De que te vale o espaço se te cansa?
Quanto mais sobes mais o espaço avança...
Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.
Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia.
Rio de Janeiro, 1933
Se eu ainda me lembro de minhas primóedias aulas de literatura, esse poema é um soneto (4 estrofes, 2 de 4 versos e 2 de 3 versos). Alguém me corrija se eu estiver errado…
Não sei explicar ao certo o que me chamou a atenção, mas algo que posso dizer é que gostei da metáfora da águia solitária.
Bom, é isso. Gostei, compartilho.
Me gustó mucho ese poema...
ResponderExcluirMi parte favorita:
Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia.